segunda-feira, 2 de novembro de 2026
BrasilDestaque

Projeto Craques da Vida usa futebol para transformar vidas de crianças e adolescentes

Criada em 1997, a iniciativa atende cerca de 230 crianças e adolescentes e já impactou mais de 6 mil com esporte, educação e cidadania

Na Vila Aliança, em Bangu, o educador social Franklin Ferreira de Melo usa o futebol para muito além das quatro linhas. Fundador do Craques da Vida, ele criou, em 1997, um projeto que hoje atende cerca de 230 crianças e adolescentes, de segunda a sexta-feira, com atividades esportivas e ações voltadas para educação, cidadania e desenvolvimento pessoal. A iniciativa nasceu da própria trajetória de Franklin, morador da região, e cresceu com a ideia de que o esporte deve ser uma porta de entrada para novas oportunidades.

Antes dos treinos, os participantes trabalham outras habilidades como empatia, autonomia e formas de lidar com sentimentos e situações de estresse. O projeto também atua no combate à evasão escolar e promove ações de saúde, além de levar os jovens a experiências que ampliam sua visão de mundo, como acompanhar partidas em estádios e entrar em campos com jogadores.

“Mais do que formar atletas, queremos formar cidadãos capazes de mudar o mundo”, resume Franklin.

Ao longo de quase três décadas, mais de 6 mil crianças e adolescentes já passaram pelo Craques da Vida, segundo Franklin. O grande diferencial está nas trajetórias de quem vive o dia a dia do projeto. Para os alunos, a iniciativa funciona como um apoio fundamental dentro de campo e fora dele.

“O projeto mudou os meus pensamentos e minha forma de agir. Foi aqui que encontrei apoio nos momentos mais difíceis e onde aprendi a ter sabedoria para ajudar minha família”, diz Wallace Cosme, de 15 anos, morador da Vila Aliança, que sonha em se profissionalizar no futebol para mudar a realidade da favela.

História que inspira

A semente plantada pelo projeto desde a infância gera frutos. Aos 9 anos, Walace Adriano chegou ao Craques da Vida depois de ser convidado por um amigo. Morador da Vila Aliança, ele cresceu participando das atividades e guarda como uma das principais lembranças a oportunidade de conhecer o Maracanã, experiência que, segundo ele, marcou sua vida e também a de sua família.

Mas o legado foi além das memórias. Walace conta que, em momentos difíceis, encontrou no Craques da Vida acolhimento, incentivo e orientação. Anos depois, a relação mudou de lugar: hoje, aos 32 anos, ele cursa Educação Física e integra a comissão técnica do projeto.

— Um dia eu estava ali no campo igual a eles e hoje estou aqui. Não me tornei jogador profissional, mas o projeto me ensinou valores e me fez acreditar que eu poderia ser alguém na vida através do esporte — pontua.

Parceria de peso

O trabalho é mantido por meio de parcerias, como a com a pró-reitoria de extensão (Proext) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e leis de incentivo. Entre as iniciativas que apoiam o Craques da Vida está o Jogaremos Juntos, parceria com o Departamento de Responsabilidade Social do Flamengo.

“Acreditamos que a dimensão e a força do Flamengo trazem também a responsabilidade de contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva. Investir em iniciativas como o Jogaremos Juntos significa ampliar oportunidades para crianças e adolescentes, utilizando o esporte como caminho para a educação, o desenvolvimento e a construção de novos projetos de vida”, diz Camila Nascimento, gerente do departamento de Responsabilidade Social do clube.